14 de maio de 2014

Na histórica degustação vertical do Vinho Velho do Museu, consegui finalmente provar um vinho da minha safra

Restaurante Aprazível, 14 de maio de 2014.

Comentário do Claudio
Sempre tive vontade de provar um vinho do ano em que nasci. Prestes a completar 40 anos, aumentei a procura por algum vinho da safra 1972, mas sem muito sucesso na minha busca. Nos principais países produtores 1972 não foi um ano muito favorável para a produção de vinhos longevos. Para minha surpresa, a minha busca estava mais perto do que eu imaginava. Em maio passado, fui convidado para uma degustação vertical que aconteceria no restaurante Aprazível aqui no Rio. Seria uma degustação vertical dos clássicos brasileiros Vinho Velho do Museu, produzidos por Juan Carrau do Atelier Carrau.
Foi uma degustação inesquecível, com oito safras apresentadas: 2004, 2000, 1996, 1993, 1988, 1985, 1978 e 1972. Vale destacar o trabalho impecável da equipe do restaurante Aprazível que decantou e serviu todos os vinhos sem nenhum atropelo.
A degustação começou com um Gewurztraminer 2009, muito interessante em boca e que serviu para abrir os trabalhos. Na sequência, foram servidas cada safra do vinho Velho do Museu, começando pela mais jovem um 2004, já com 10 anos de vida e que é a safra que está sendo comercializada no momento. A curiosidade dos convidados era grande para saber como aqueles vinhos brasileiros tinham envelhecido e se tinham suportado tantos anos de vida. A cada garrafa provada a certeza de que o Velho do Museu envelheceu muito bem. Para quem não conhece este vinho, é aquele da garrafa bojuda e seu rótulo é uma tag pendurada na garrafa. Feito de um corte de Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc e Merlot. A primeira safra vinificada deste vinho foi em 1971 e não entrava a Cabernet Sauvignon, assim como na safra 1972.
Em todas as safras degustadas, os vinhos estavam inteiros, vivos, mostrando diferentes estágios de evolução e, principalmente, de características próprias de cada safra. Muito difícil escolher o melhor. Acho que a degustação nem tinha este propósito, e sim mostrar o potencial que alguns vinhos brasileiros têm de evoluir e envelhecer muito bem.

Comentários breves sobre o vinho de cada safra:
- 2004: vinho que pode ser comprado e mesmo com 10 anos de vida ainda está jovem, com acidez bem marcada e perfil elegante. Ainda vai evoluir.
-2000: perfil que lembra vinhos do velho mundo, com mais corpo que o 2004, boa acidez, mas com menos complexidade.
-1996: estava mais turvo que os anteriores e mostrava sinais do amadurecimento. Taninos muito redondos e elegantes, muito prazeroso.
-1993: Vinho muito vivo e que não parece ter 21 anos. Muito vivo e com menos elegância que o anterior, mas também se destacou
-1988: Este é aquele tipo de vinho para você beber com calma e observando as nuances que ele proporciona, muito interessante.
-1985: um dos mais comentados da mesa por sua complexidade e elegância. Um belo vinho.
-1978: Grande surpresa pelo estado e pela complexidade, realmente impressionou pela qualidade apresentada e por ter envelhecido tão bem.

E, finalmente, tão aguardado por mim, o 1972. Assim como o anterior, foi uma bela surpresa. Vinho maduro, ainda com força e presença em boca. Ainda muito vivo, alguns arriscaram dizer que ele ainda poderia envelhecer mais, taninos presentes e macios. Um vinho muito elegante e marcante.
Foi uma bela experiência e uma boa surpresa. Muito interessante ver um trabalho bem feito  que resistiu muito bem aos anos. Se tiver oportunidade, prove a safra 2004 e guarde uma garrafa para beber em mais alguns anos.

Um comentário:

Hindenburgo de Bulhões Carvalho Filho disse...

Conheço o Vinho velho do museu desde provavelmente início dos anos 80 e tenho acompanhado ao longo dos anos sua produção.
degustei o 2004 e acho um vinho gostoso,ainda vigoroso, álcool na medida certa.
Um bouquet elegante, a frutas vermelhas e compotas.
Muito gastronomico.