15 de novembro de 2013

Degustação histórica: 6 safras do Baron de Lantier e todas as safras do Orus com a presença de Adolfo Lona

No último fim de semana, foi aniversário do mestre Adolfo Lona. Conhecemos Lona em uma visita a sua cantina em um dia 24 de dezembro anos atrás. Mesmo sendo um dia ingrato para visitações, fomos muito bem recebidos em Garibaldi, onde passamos um bom tempo conversando e trocando ideias.
Dias depois, voltaria a encontrar novamente o Lona, só que desta vez no Rio de Janeiro, em plena areia da Praia de Ipanema, onde degustamos duas garrafas do excelente espumante Orus, o top produzido por ele. Compramos empanadas (para quem não sabe, Lona é Argentino. Veio ao Brasil produzir vinhos em 1973, sendo um pioneiro dos vinhos finos no Brasil) e mais uma vez tivemos um final de tarde muito agradável.
Descobrimos também a paixão dele por Copacabana, bairro carioca onde costuma passar o verão com a família. Depois disto, nos encontramos mais algumas vezes. Em um dos encontros, ele revelou que tinha guardadas em sua adega algumas garrafas do histórico vinho Baron de Lantier e que estava com vontade de fazer uma degustação vertical, no Rio de Janeiro. Queria ver como estes vinhos suportaram ao tempo.
Começamos a planejar a degustação. Adolfo Lona enviou as garrafas ao Rio. Enquanto a data não era marcada, fiquei com a missão de cuidar dos vinhos aqui em casa. Depois de alguns cancelamentos,  finalmente, conseguimos encontrar uma data e Adolfo Lona veio ao Rio para a tão esperada degustação.
Assim começou a história de uma memorável noite no Restaurante Aprazível. Mais uma vez fomos muito bem recebidos pelo Pedro Hermeto e pelo Paul, na época ainda o sommelier do restaurante. Além deles, participaram da degustação o Alain Ingles, o Antonio Campos da Zahil, amigo e distribuidor dos espumantes do Lona aqui no Rio, e o Beto Duarte do Papo de Vinho, que veio de São Paulo especialmetne para a degustação.
O melhor é que naquela noite não seria uma vertical e sim duas! Começamos provando todas as safras já produzidas do Orus, um dos melhores espumantes feitos no Brasil. Provamos os espumantes que foram lançados entre os anos 2008 e 2013. Seis diferentes safras mostram que o Orus é um espumante que envelhece muito bem. Cada safra tinha sua característica e em comum um espumante de boa complexidade. Quanto mais antiga a garrafa, mais o Orus tem a te mostrar. Cremosidade, elegância equilíbrio, perfeita acidez.
Sempre perguntava quando seria o momento ideal de beber o Orus e o Lona me falava para abrir logo e beber... Depois desta vertical, acho que vale esconder uma garrafa para beber com mais tempo de vida. Na adega, tenho uma garrafa do lote 2013 e uma do lote 2012. São cerca de 600 garrafas produzidas em cada safra. O próprio Lona ficou positivamente surpreso e feliz com a bela evolução e longevidade do espumante. O Beto fez alguns videos com o Lona durante a degustação dos espumantes, vale dar uma olhada aqui.
Finalmente passamos para o grande momento da noite, provar seis diferentes safras do Baron de Lantier. Para quem não conhece, o Baron de Lantier foi um dos grandes vinhos brasileiros produzidos nas décadas de 80 e 90, um corte de Cabernet Sauvignon e Merlot com passagem de cerca de oito meses por barricas francesas. Um projeto capitaneado pelo Adolfo Lona de fazer um grande vinho de guarda brasileiro. Neste outro vídeo feito pelo Beto, o próprio Adolfo conta a história deste vinho. Mas como estariam aqueles vinhos com mais de 20 anos de vida? Começamos a prova pelo mais jovem, 1996 até chegar ao grande vinho da noite, da histórica safra 1991.
Foi uma grande emoção provar um pouco da história do vinho no Brasil. Todos os vinhos estavam inteiros, pouquíssimo sinais de envelhecimento. Em geral, todos apresentaram grande elegância, boa acidez e estavam vivos. A cada garrafa provada, a certeza de que a ideia original do projeto, de fazer um vinho de guarda, foi atingida com louvor. Foi muito interessante ver a reação de todos ao provar aqueles vinhos e principalmente a satisfação do Adolfo Lona em comprovar que, mais de vinte anos depois, tinha feito um belíssimo trabalho.
Duas safras em especial me chamaram a atenção, exatamente as duas mais velhas. O 1992 estava perfeito, grande elegância e muito prazer em degustar. O grande destaque da noite foi 1991, a melhor safra que o Brasil já teve em virtude de condições climáticas perfeitas, pouca chuva, grande amplitude térmica. O vinho apresentava uma combinação perfeita de elegância e intensidade de sabores. Final longo e ainda potencial para envelhecer. Um vinho memorável!

Obrigado, Lona, pelos grandes vinhos e pela grande noite!

3 comentários:

alaingles disse...

Maravilha, Claudio! Um privilégio mesmo, fico feliz por ter participado desse dia tão marcante. Grande abraço

Eduardo Torres Sabará disse...

Venho buscando informações sobre Baron de Lantier, tenho uma garrafa pequena que meu pai deixou pra mim, eu não tenho a exatidão da data, pois não tem no rótulo, e o rotulo é bem parecido com o que está na imagem. eu só sei que estou com a garrafa mais de 25 anos, é da década de 80.

Anônimo disse...

Acho estranho,vejo baron de lantier a partir de 1991, so que tenho duas garrafas da vindima de 1982!!!