4 de setembro de 2012

Uma aula de vinhos portugueses com Rui Falcão

Portugal quer conquistar as taças dos brasileiros. Com promoção da ViniPortugal, associação responsável exatamente por divulgar a imagem do país como produtor de vinhos de excelência, participei de uma aula ministrada com muita competência e simpatia por Rui Falcão o principal crítico de vinhos de Portugal. Durante uma manhã/tarde passamos na companhia de diversos vinhos de todas as principais regiões produtoras de Portugal harmonizados com muita informação e histórias das cepas e  vinhos da terrinha.
A iniciativa é muito interessante e o objetivo é treinar e passar informação que ajude o consumidor brasileiro a conhecer os vinhos e que facilite o processo de venda e escolha dos vinhos. Algumas particularidades dos vinhos portugueses que transitam bem entre a tradição e a modernidade valem o destaque: - a grande quantidade de cepas plantadas, número acima de 300 variedades e muitas vezes os nome mudam de região para região. - Apesar do tamanho do país, a grande diversidade de clima e solo encontrado proporcionam vinhos muito diferentes e com características próprias, uma grande quantidade de microclimas. - a mistura natural das vinhas que por não serem plantadas separadamente o cruzamento das cepas acontece naturalmente. Com a entrada do país na comunidade européia, Portugal conseguiu dinheiro para se modernizar e hoje se encontra tanto as mais tradicionais vinícolas quanto as mais modernas e tecnológicas. Mesmo nas mais modernas vinícolas, a tradição e hábitos da produção de vinhos ainda podem ser vista.
Em resumo podemos dizer que hoje Portugal produz vinhos únicos, que não seguem moda, com castas distintas, com muita personalidadee história para contar.
Pudemos provar diversos vinhos das principais regiões vinícolas, veja o que foi provado:
- Conde de Villar Alvarinho 2011 - feito com uma das principais uvas brancas, grande acidez, frescor e mineralidade.
- Carm Rabigato Douro 2010 - uva pouco plantada, usada em cortes e com acidez muito marcante.
- Quinta da Chocapalha Arinto 2010, vinho regional de Lisboa, uva também muito usada em cortes, em boca muitas notas cítricas e acidez.
- Quinta da Falorca Dão 2010 - feito principalmente com a uva Encruzado, bom vinho que ocupa toda a boca e leve doçura.
- Pera Manca branco 2009 - um clássico do Alentejo, feito com as uvas Arinto e Antão Vaz. Um vinho que tem um estilo mais oxidado, com grande corpo e que envelhece muito bem. Deve ser decantado. Um vinho muito bom, ícone de Portugal.
Após o almoço voltamos e partimos para os vinhos tintos:
- Carm Reserva 2009 Douro - bom tinto com taninos presentes, pouco açúcar residual e boa acidez.
- Pedra Cancela 2009 - Dão, um corte de 4 cortes, fruta delicada, taninos finos e que vai envelhecer bem.
- Encontro Bairrada 2009 - feito da difícil e cultuada uva Baga com tinta roriz e touriga Nacional, vinho tânico, com peso e que pede comida gordurosa. Vinho para envelhecer.
- Quinta da Chocapalha 2007, Lisboa, um vinho bem feito e sem muita complexidade. Vinho ideal para pessoas que não costumam beber regularmente.
- Quinta da Alorna 2009, Tejo, vinho fácil de se beber de estilo novo mundo.
-Vale da Judia 2009, Setúbal. Um corte de Trincadeira Castelão e aragonês, taninos marcados, seco e gastronômico.
- .com 2010 Estremoz, vinho moderno e com muita fruta em boca.

Assim pudemos provar um pouco de toda a diversidade de clima, cepas e estilos dos vinhos portugueses. Um interessante investimento em educação e treinamento que a ViniPortugal levou para diversas cidades do Brasil muito bem conduzido por Rui Falcão.

Um comentário:

Alex Magalhães disse...

Muito interessante a matéria.
Mais interessante ainda ver que os vinhos variaram um pouco de cidade pra cidade.
Aqui está o registro do evento realizado em Florianópolis:
http://www.consuladodovinho.com.br/artigo/364
Abraços