31 de março de 2007

Rio Sol - Cabernet Sauvignon e Syrah 2004 * #cbe




















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Antes de apresentarmos nossos comentários sobre o Rio Sol, precisamos contar como este vinho foi escolhido. Logo depois de criarmos o Le Vin au Blog, começamos a procurar blogs parecidos com o nosso para trocar informações. Foi assim que conhecemos o Vivinhos, o Viva o Vinho, o Pisando em Uvas e o Vinho para Todos. Na verdade, um foi levando ao outro e uma das razões foi o fato de os quatro terem criado a Confraria Brasileira de Enoblogs. Logo quisemos participar, claro. Mandamos então mensagens para todos eles, que foram bem gentis e nos deixaram fazer parte do grupo. A dinâmica da confraria é a seguinte: todo mês é escolhido um vinho para ser degustado por todos. No primeiro dia do mês seguinte são postados os comentários. Essa será nossa primeira participação. O vinho escolhido em março foi o Rio Sol. Encontramos aqui no Rio, na Expand, duas safras. Optamos pela 2004. Abaixo nossas observações. Ah, não deixem de conferir as análises de nossos enoamigos. Os links estão ao lado.

Nome: Rio Sol
Safra: 2004
País: Brasil
Região: Vale do São Francisco
Produtor: Vinibrasil
Site: www.vinibrasil.com.br

Uvas/Corte: Cabernet Sauvignon 50% e Syrah 50%
Teor alcoólico: 12,5%
Preço: R$ 18,90
Onde foi comprado: Expand Store
Quando foi comprado: 29 de março de 2007
Degustado em: 30 de março de 2007
Onde bebeu: Em casa
Harmonizado com: Bruschettas caprese, queijos provolone, gran formaggio RAR e gouda Coroa e salame tipo italiano
Com quem: Claudio e Rafaela

Comentário do Produtor
O Rio Sol é o primeiro vinho internacional produzido na latitude 8º sul. As características do solo, o ensolarado clima e as cuidadosas técnicas de verificação permitiram fazer este vinho num estilo moderado com cor intensas, aromas vivos de frutas e maciez de sabor, criando a companhia perfeita para conhecedores de vinho de todo mundo.
Características do vinho - O Rio Sol é um tinto de boa intensidade, com aromas de frutas vermelhas e notas de especiarias doces. Na boca é redondo, fresco e com taninos delicados. Um vinho moderno, equilibrado e bastante agradável ao final.
Colheita - 100% manual
Cor - Vermelho, rubi intenso
Aroma - Frutas vermelhas, como amora e ameixa preta
Palato - Redondo, fresco e com taninos delicados
Harmonização
Queijos: (Gouda, parmesão,etc)Aperitivos: Frios (Coppa, presunto cru, salame)Carnes: (Carne assada, grelhada, churrasco)Frango: (Frango xadrez, empanado)Pratos Típicos: (Comida temperada, apimentada)Massas: (Pizza, Massas com molhos ricos)

Comentário da Rafaela
Exame visual: Bela cor de cereja - a frutinha de verdade.
Exame olfativo: Comecei sentindo cheiro de legumes, mas talvez por saber que era um cabernet sauvignon e ter sido influenciada por isso. Da segunda taça em diante, senti aromas adocicados, talvez um pouco de morango.
Exame gustativo: No primeiro gole, o vinho me pareceu muito bom, mas depois fui sentindo uma certa adstringência e uma acidez meio elevada no final. Fomos analisando o vinho em etapas, tentando extrair o máximo de detalhes. O vinho foi decantado por mais de uma hora. Quando provamos a primeira taça, a presença de álcool era muito pequena, quase não se percebia. Esse Rio Sol é um vinho leve, não senti taninos, retrogosto também não existia. Enfim, baixa complexidade. Estamos começando a classificar nossos vinhos em três categorias. Aqueles que são ótimos e queremos beber muitos outros semelhantes; aqueles que são tão frustrantes que esperamos não ter que provar nunca mais em nossas vidas; e aqueles que são bons, não têm nada para se reclamar, mas também não acrescenta nada. Esses últimos colocamos na classe dos vinhos que não mudaram nossas vidas. Se bebermos novamente, tudo bem, mas se não, não vai fazer falta. O Rio Sol encaixou-se nessa categoria. Esse foi o segundo vinho que provamos do Vale do São Francisco. O primeiro foi um Terranova, Syrah, 2004, em uma noite friozinha lá em Canela, no RS.
Nota: 85.0

Comentário do Claudio
Exame visual:
Vermelho cereja, transparente e não muito intenso.
Exame olfativo: Inicialmente, me pareceu um vinho com poucos aromas, com cheiro muito leve e de difícil identificação. Depois, ele se abriu um pouco passando a lembrar aromas característicos de Cabernet como vegetais/legumes. No final, mais doce, surgiu um pouco de ameixa.
Exame gustativo: Sem dúvida nenhuma é um vinho bem produzido, porém me pareceu que falta uma personalidade para ele. Explico: fomos analisando o vinho com calma. Decantamos por uma hora e colocamos a uma temperatura de 16-18º. É um vinho leve, seus 12,5% de álcool estão bem integrados, não possui açúcar tão presente. É um vinho jovem, mas não tão vibrante. Do meio para seu final apresenta um pouquinho de acidez. No primeiro ataque, senti um pouco de adstringência, mas que desapareceu depois, taninos ausentes. Pequena permanência. Fizemos algumas experiências com a harmonização e o vinho se comportou melhor com comidas de gosto mais intenso como por exemplo o salame. É um vinho sem nenhuma grande aresta, que tende a ser balanceado. Porém, se o vinho não tem nenhum grande senão, também não tem grandes pontos de destaque. É um vinho que você vai beber, vai ser agradável, mas não vai mudar a sua vida. Falta uma característica forte, marcante. Li muitas matérias falando sobre a produção de vinhos no Vale do São Francisco e em geral o comentário era de que o amadurecimento da uva ocorre de forma mais rápida gerando uma quantidade maior de colheitas por ano. Isto não deixava a uva ganhar um concentração que permita fazer vinhos mais encorpados e complexos. O Vale do São Francisco tende a ter quantidade mais do que qualidade. Na minha opinião, esse vinho reflete isto: falta uma personalidade, mesmo sendo agradável. Será que encontramos isso na linha "reserva" do Rio Sol? Será que conseguirão produzir vinhos mais complexos no Nordeste? Só degustando outros vinhos para saber...
Nota: 84,0

3 comentários:

Vinho para Todos disse...

Meus caros, nossas percepções foram diferentes, mas o resultado final me pareceu bem próximo: é um vinho que não nos fará falta, caso não compremos outra garrafa.
Não tenho notícias dos outros blogs. É provável que façam os comentários neste início de mês.
Abraço!

Babi disse...

Rafa! Esse contador é tudo, né?! E olha como vocês são visitados!! Parabéns!! É isso, nada como dominar a técnica. Pena que eu demorei pra aprender, pois tenho 1 ano e meio de blog, e só me toquei do contador de visitas mês passado, hahaha! Beijão!

Karen disse...

Realmente é um vinho bem fraquinho... Eu o provei no Club Med de Trancoso, onde as garrafas ficavam abertas sobre as mesas por horas, o que também não deve ter ajudado nada...