Se gostarem, por favor,
comentem, pois isso também contará pontos.
"Querida Marie,
finalmente
encontrei um tempinho para contar um pouco sobre a viagem.
Cheguei
no meio da tarde de domingo. Achei que estaria mais cansada, mas a viagem,
apesar de longa, foi bastante tranquila. Ao chegar ao hotel, havia um agrado me
esperando no quarto: rousquilles fondantes, pêssegos e uma garrafinha de
Vin Doux Naturel. Resisti ao vinho, mas
não às rosquinhas cobertas de glacê com leve gostinho de anis. Logo depois fui conhecer os companheiros de passeio e
pegar mapas e afins.
Nosso grupo
é pequeno, apenas seis jornalistas, mas cada um de um lugar diferente, até mesmo
um parisiense que nunca havia visitado o Languedoc-Roussillon – veja só, você
não é a única. Recebemos um belo material de divulgação da região. Em diversas
línguas, inclusive português. Confesso que fiquei impressionada com a
organização.
Depois de
um breve bate-papo com seu conterrâneo, fui descansar, renovar as forças para os
próximos quatro dias, que, pela programação, seriam intensos – e realmente
foram, intensos e inesquecíveis. Visitamos pontos de cada região, começando
pelos Pirineus Orientais passando por Aude, Hérault, rapidamente pelo Lozére e
fechando com Gard.
No primeiro
dia nos embrenhamos pela região dos Pirineus Orientais. Saímos cedo de Perpignan
em direção de Ille-sur-Têt, onde ficam os Órgãos de Ille-sur-Têt, montanhas que
se parecem com um órgão de igreja. O passeio deu fome, mas nosso guia estava
preparado: fizemos um piquenique, com direito à linguiça catalã seca e vinho rosé do Minervois.
Poderia ter
ficado ali o dia todo, mas ainda havia muito a ser visto. Partimos para a bela
Villefranche-de-Conflent, que é cercada
por muros. Apesar de
estarmos a mais de uma hora de Castelnaudary, a cidade onde foi
inventado o cassoulet, nosso almoço foi esse prato, preparado especialmente para
o nosso grupo. Havia vinho, claro, um Côtes du Roussillon.
Quando
voltamos a Perpignan ainda estava claro e fomos dar uma breve caminhada no
centro. A programação para aquele dia ainda incluía uma degustação no hotel – eu
falei que foi intenso. Dormimos cedo, pois a saída na manhã seguinte estava
marcada para as sete!
Na noite de terça, dormiríamos em Minervois. O guia atiçou nossa curiosidade o dia todo,
falando que ficaríamos deslumbrados quando chegássemos ao hotel. Este dia foi
dedicado às vinícolas. Visitamos quatro, desde logo cedo. A primeira parada foi
para provar um dos meus preferidos, o doce Muscat.
Em seguida,
percorremos uma estrada cercada por vinhedos, em direção a Corbières, onde
almoçamos. Ali gastamos horas com boa comida, ótimos vinhos e trocas
interessantes, cada um contando suas experiências relacionadas ao vinho.
Animados, seguimos para mais uma etapa. Poucos quilômetros e já estávamos em
outra denominação: Corbières Boutenac, onde provamos uma seleção de vinhos
produzidos com as uvas carignan e syrah.
A tarde já ia longe quando entramos na nossa
última região do dia, Minervois, onde estava localizado nosso misterioso hotel.
Antes, porém, nosso grupo foi acolhido na Domaine L’Ostal Cazes, que fica entre
a medieval Carcassone e a antiquíssima Narbone – visitaríamos as duas com mais
calma na manhã seguinte.
Fiquei bem
impressionada com o elegante L’Ostal Cazes Estibals 2007, feito com syrah,
grenache e carignan. Foi minha primeira aquisição. Claude, este é o nome do seu
conterrâneo, já tinha seis garrafas na mala, vinhos bem selecionados, segundo ele, e a
maior parte orgânicos, pois o Languedoc-Roussillon é a maior região vitícola
orgânica da França.
Em cinco
minutos, chegamos ao paraíso. Nosso hotel ficava em um château. E meu quarto
tinha vista para os vinhedos. O final de tarde estava lindo, o astral do grupo
não podia estar melhor. O jantar ao ar livre. Acho que vou me lembrar para
sempre desde fim de tarde no Minervois. Fazia muito tempo que não me sentia tão
leve, tão tranquila, tão feliz.
Provamos
diferentes sabores nessa noite. Nossos anfitriões prepararam um jantar especial
com produtos da região. Cada azeite! Cada tapenade! Fiquei tão impressionada com
a Tapenade L’Oulibo, que o guia deu um jeito de conseguir um vidrinho para mim.
A cooperativa que a produz fica ali perto, em Bize, mas a agenda estava tão
cheia que não daria para passar por lá. Menos mal que eu já havia garantido
minha porção.
Nem preciso
dizer que, apesar das camas convidativas do nosso charmoso hotel, seguimos
madrugada adentro provando vinhos no terraço iluminado à luz de velas. Devo
confessar que a companhia valia a pena. Um dos vinhos da noite foi o pinot noir
da Domaine des Salices. Leve, perfeito para fechar um dia tão bom.
Apesar das
poucas horas de sono, na manhã seguinte eu estava inteira, pronta para mais uma
maratona. Sorte que nosso guia imaginou que aproveitaríamos ao máximo a estada e
na parte da manhã elaborou uma programação bem tranquila, primeiro em
Carcassone, depois em Narbone.
No meio do
caminho para Montpellier, paramos em um bistrô para provar os famosos petits
patês de pézenas, tortinhas recheadas com carne de carneiro assada e casca de
limão cristalizada. Foi ali que provamos pela primeira vez também um doce
delicioso. Eu já havia comido castanhas portuguesas, mas nem fazia ideia de que
era possível fazer um doce com elas. O nome dessa pequena maravilha é Confiture
de Chataigne – bom, não deve ser nenhuma novidade para você,
né?
A
programação deste dia incluía um almoço à beira-mar. Afinal, o
Languedoc-Roussillon é todo margeado pelas águas do Mediterrâneo. No cardápio,
adivinha... frutos do mar, muito bem acompanhados pelo elegante rosé Le Champs
des Grillons, da Domaine La Croix Belle. Boa acidez e um frescor que combinou
direitinho com a tarde. Lá pelas tantas nosso guia nos lembrou que
precisávamos voltar. Passaríamos a noite em Montpellier.
Nosso grupo
resolveu comer crepe no centro da cidade. Depois, os três incansáveis – Andreas,
Pavel e Marco – decidiram procurar algum bar animado, Bridget
havia
combinado encontrar um amigo que viria de Avignon. Sobramos Claude e eu.
Exploramos um pouco mais o centro e voltamos caminhando para o hotel. Ainda
encontramos energia e assunto para encarar mais um rosé.
A
quinta-feira amanheceu ensolarada... :)
Não sei se
porque era o último dia ou se influenciados pelo céu azul, mas todo mundo
parecia mais animado do que nunca. Logo cedo nos embrenhamos pela região dos
vinhos da denominação Languedoc, onde fizemos duas visitas a vinícolas e
almoçamos brandade de bacalhau nas proximidades de Nîmes. À tarde, pegamos a
estrada para a tão esperada visita à Pont Du Gard.
A visão é
arrebatadora. Eu que sou do Novo Mundo fiquei impressionada por cruzar uma ponte
construída há mais de dois mil anos. Ali fizemos quase que nossa despedida.
Marco voltaria para a Itália ainda naquela noite. Nosso guia tinha pensado em
tudo e fizemos um piquenique perto da ponte. Deixamos o parque no fim da tarde.
Chegamos
faz mais ou menos meia hora no hotel. Mais tarde, vamos fazer um último brinde.
Não consigo tirar este sorriso do meu rosto. :) E pensar que na semana passada
eu estava até meio desanimada.
Meu trem
para Paris parte às 13h. Ainda terei a manhã livre para dar umas voltas por
aqui. O voo para o Rio é amanhã à noite.
Escrevi
quase um livro! E agora, bem na hora de enviar o e-mail, a rede do hotel
resolveu parar de funcionar. Vou descer. Depois envio.
Beijos e
até breve,
Rafaela
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Existe P.S.
em e-mail? Acabei de voltar. O e-mail estava pronto, mas tenho uma grande
novidade: vou ficar mais uma semana!!! Resolvi tirar uma semana de férias e
ficar mais uns dias na região. E antes que você pergunte: não, não ficarei
sozinha... Claude também ficará. Desconfio que precisarei de aulas de francês na
volta... : )